Pra que perder a vida tentando ganhá-la?
quinta-feira, 20 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Difícil Amor
"As pessoas (com auxílio de convenções) resolveram tudo da maneira mais fácil e pelo lado mais fácil da facilidade; contudo, é evidente que precisamos nos aferrar ao que é difícil; tudo o que vive se aferra ao difícil, tudo na natureza cresce e se defende a seu modo e se constitui em algo próprio a partir de si, procurando existir a qualquer preço e contra toda resistência. Sabemos muito pouco, mas que temos de nos aferrar é uma certeza que não nos abandonará. É bom ser solitário, pois a solidão é difícil (...). Amar também é bom: pois o amor é difícil. Ter amor, de uma pessoa por outra, talvez seja a coisa mais difícil que nos foi dada, a mais extrema, a derradeira prova e provação, o trabalho para o qual qualquer outro trabalho é apenas preparação. (...) A princípio o amor não é nada do que se chama ser absorvido, entregar-se e unir-se a outra pessoa. (Pois o que seria uma união do que não é esclarecido, do inacabado, do desordenado?) O amor constitui uma oportunidade sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo, tornar-se um mundo, tornar-se um mundo para si mesmo por causa de uma outra pessoa; (...) Quem observa com seriedade descobre que, assim como para a morte, que é difícil, também para o difícil amor não se reconheceu ainda nenhum esclarecimento, nenhuma solução, nem aceno, nem caminho. Para essas duas tarefas, que carregamos e transmitimos secretamente sem esclarecer, nunca se achará uma regra comum baseada em um acordo."
Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta
terça-feira, 4 de junho de 2013
Las Conversations Imaginaires (la revanche)
- A. "Eu não entendo muitos poemas... H., cê gosta de poesia?"
- H. "Deus me livre e guarde de poesia!"
- X. "Meu número é 333"
- Y. "?"
- X. "Meio besta"
- D. "(...) você é uma pessoa sem personalidade!"
- L. "Num tenho mesmo não... só me pedem CPF e RG"
- F. "Como pode o peixe vivo viver fora da água fria?"
- L. "Dançando break"
terça-feira, 28 de maio de 2013
Ganesha
Nasci na orla da morte, como você. Não há pureza, não há perfeição. O que há é criar e destruir.
Talvez por isso eu nunca sei o que quero, mas desconfio que não deveria saber o quê quero, deveria apenas querer. Mas como o saber?
Se eu quisesse o que quero, eu iria querer flutuar.
Também iria querer um elefante que dormisse comigo na caverna e que mudasse para o tamanho que eu pedisse. Ele serviria de montaria, travesseiro, cachorro, chuveiro e gangorra. Eu poderia amarrar sua tromba com o rabo e teria uma ótima mala. Juntos flutuaríamos até o mar, pousando na Ilha de Cragen, onde são feitas as conchas. O anão do serviço secreto crageneano tentaria nos expulsar, mas meu elefante o esmagaria como a uma aranha. Então tomaríamos de assalto a ilha e nomearia meu elefante "Lorde Haathi, Governador das Conchas e Moluscos Marinhos". Viveríamos de pepinos do mar, ovas de peixe espada e rocambole de lagosta e à noite fumaríamos algas secas em cachimbos de madrepérola. Haathi seria eterno para mim.
Iria também querer saber o que as coisas sentem quando eu as toco. O que se passa com as sementes enquanto estripo a abóbora. O que pensou a bolha de sabão que estourei, os sapatos que experimentei mas acabei não comprando. Teria remorsos a faca que me feriu? O muro chapiscado aprecia as minhas carícias? Será que o cobertor gosta de me envolver? O envelope de que eu o lamba?
Só não iria querer ser direta, porque então eu seria uma seta, uma lança, quando de fato sou uma lagoa. Um lago cuja continência é ilusória e nenhum limite perenal.
Na orla da morte não deveria ser permitido o querer. O querer é gasolina de muitos, mas é gelo para mim. Congelada, entorpecida, incompleta, sigo sem saber o quê querer.
Haathi seria divã também.
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